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Poemas de José Geraldo de Freitas
Poemas de *José Geraldo de Freitas
Belo Horizonte-MG.

 

BRUMADINHO GEME E CHORA!!!
- Poema que fiz em 2019, a respeito da queda da Barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho, que vitimou 272 pessoas.

MARIANA até hoje chora,
Os filhos que perdeu no caminho.
Agora, quem mais geme e chora
São os filhos de Brumadinho.

Uma sanha assaz desalmada,
Capitalismo louco e selvagem.
A vida humana foi desprezada,
E a tal barragem valorizada.

Quem morreu no restaurante,
tinha muita fome de vida.
Tudo se acabou num instante,
Sem tempo de despedida.

No ônibus gente morreu,
sem continuar sua jornada.
Nem sabia que o destino
seu era aquela última parada.

Morreu ali muita gente
que desejava só trabalhar
E que a lama cruel e inclemente
Veio de uma vez derrubar.

Os sonhos e muitos desejos
foram deixados sem dó,
Por um destino malfazejo
que a todos transformou em pó.

A pousada, lugar de descanso
mostrou-se abrigo final.
Para aqueles também vitimados,
Naquela ocorrência fatal.

E ribeirinhos que ali viviam,
Sob a influência daquela barragem,
Também nunca imaginavam
Tão derradeira viagem.

Mariana ainda grita e chora
O desprezo daquela empresa
Que mandou sua alegria embora,
Debaixo daquela represa

Não chora só MARIANA,
Não geme só BRUMADINHO
Minas Gerais também reclama,
Despedaçada que foi no caminho.

Na tristeza de cada família,
Nossa gente está enlutada.
Sofremos, pois não somos ilha,
Que vive e morre isolada.

Na caixa mineira de “Pandora”,
Sobrou apenas a esperança
E quanto mais a coisa piora,
Mais nossa fé se agiganta.

No trabalho de cada bombeiro,
De voluntários e da Defesa Civil.
Veio gente de todo lado,
De nosso imenso Brasil

Veio um grupo até de Israel,
Para ajudar em nossa missão
Á aliança da terra e do céu,
Nosso amor e gratidão.

Dor e saudade ficarão na memória
Desse povo já tão sofrido.
Que não se apague de nossa história
Esse trágico acontecido.

Crianças perderam seus pais,
Mães perderam seus filhos.
Encontros e abraços jamais,
Só lágrimas, dor e gemidos.

Mas, ainda, a vida que dói
Caminha lambendo as feridas
Honrando seus mortos e heróis
Nos encontros e nas despedidas.

Brumadinho, erga sua voz,
Ainda com dor infeliz
Para que seu carrasco e algoz
Encontre justiça e juiz.

Mariana até hoje chora
Os filhos que perdeu no caminho
Agora quem mais geme e chora
São os filhos de BRUMADINHO.

TERRA SECA, ÁGUA DOCE!
- Poema que fiz, trabalhando no Programa Água Doce - que transforma água salobra em água potável, mudando a vida de milhares de famílias em comunidades rurais do Semiárido Mineiro.

No semiárido mineiro
Pura seca e amargura
Tristeza, o ano inteiro
Terra bruta e água dura.

A água jorrava da terra
Mas o gosto era salgado
Na boca já era uma guerra
Na barriga, um estrago danado!

O povo triste e adoecendo
Existência frágil e instável
Comunidades e famílias enfraquecendo
Por falta de água potável.

Antes, a alternativa existente
Mão de socorro viável
Era o caminhão-pipa frequente
Mas a sede era insaciável

Chegou, então, auxílio oportuno
Como uma resposta divina
Para livrar do infortúnio
Aquele povo de dura sina

Uma viva esperança trouxe
A tristeza saltou de alegria
Chegou o Programa Água Doce!
Mudando a situação com maestria.

Parceria exitosa e fenomenal
Muito trabalho e cumplicidade.
Governos federal, estadual e municipal
Mas, a gestão é da comunidade!

Na equipe tem a Cedec e a Semad
A Emater, Copasa, Cemig, Igam e Idene
Todos agindo juntos de verdade
Para que o programa seja perene.

A EDS veio do Nordeste
Falando um sotaque brejeiro
Uma equipe “cabra da peste”
Atuando em solo mineiro.

Eita povo sério e trabalhador!
Comedor de cuscuz e macaxeira.
Trinta dias, obra pronta com louvor!
Para atender a comunidade inteira!

“Quem canta seus males espanta”
E nós não ficamos pra trás:
“Oh, Minas gerais! Oh, Minas gerais!
Com o Água doce você é demais!
Oh, Minas Gerais! ”

O VINHO E O CAFÉ
-Fiz este poema para destacar duas bebidas que aprecio bastante.

O vinho apostou com o café
Quem teria maior poder e sedução
Cada um bateu firme o pé:
- Chego primeiro e arrebato o coração.

O café desperta os sonolentos.
Dá força e energia aos letárgicos.
Dá vigor e acelera os pensamentos
Como se tivera poderes mágicos.

O vinho, por sua vez, é inebriante
Acalma e pacifica um triste coração.
Cura e fortalece um débil viajante
Encoraja e estimula a mais tórrida paixão.

O café anuncia um radiante dia
O vinho acalenta uma pujante noite
Sem o café, mórbida a vida seria
Sem o vinho, sofrimento e puro açoite.

O café tem milhões de seguidores.
O vinho tem milhões de amantes.
Os dois fortalecem e aplacam dores,
Escrevendo inesquecíveis instantes.

Não imagino meu dia sem café
Minha noite nem penso sem o vinho.
Nenhum dos dois entorpece minha fé
São bons amigos e não me deixam sozinho.

Qual bebida é melhor? Café ou vinho?
Qual seria, por fim, a escolha sua?
Por que ser, todavia, egoísta ou mesquinho
Se podemos ficar bem com as duas?

Finalmente, é importante frisar
E com concluir com exatidão.
Antes que venham até me julgar,
O melhor com os dois é a moderação.

MINEIRIDADE

Sou mineiro, nascido em Minas Gerais
Adoro as montanhas, que aqui há demais.
Sou mineiro, do tutu e do feijão tropeiro
Do gostoso queijo, conhecido do brasileiro.

Sou mineiro sim e celebro!
Com pouca coisa me alegro.
Sou simples, sou do bem
Falo uai, troço e trem!

Sou mineiro como o Juscelino
Nosso eterno e amado Presidente
Sua história sei desde menino
Seu legado é sempre presente.

Mineiro sou como Guimarães Rosa
De nossa literatura, baluarte e bastião
Criador de falares e de boa prosa
Dos imortais Miguilim e Manuelzão.

Sou da roça e, também, da cidade
Gosto do rústico e da modernidade
Toco viola, pandeiro, gaita e violão
Danço forró e não perco um bailão.

Tenho fé, disciplina e trabalho muito.
Não ser pesado a ninguém é meu intuito
Sou de família, respeito a tradição.
Gosto da Feira, do Mercado e do Mineirão.

Dizem que sou desconfiado. Sou não!
É que gosto de dar tempo ao coração.
Pois, quando aprecio, gosto de verdade.
Quando me separo, haja dor e saudade!

Dizem que sou “come quieto”. Nem tanto!
É que sou discreto, o que faço, não canto!
Aqui, na minha terra, há lendas, há contos!
E quem narra as histórias, aumenta seus pontos!

Se vier em minha terra, terás casa e comida
Muita prosa, boa música e farta bebida!
É por isso, que se ouve e se canta demais:
“Oh, Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais!”

AMOR PLATÔNICO

Narciso que admira
Seu reflexo no lago.
É sentimento altruísta
Impossível no afago.

É beijo que almeja
Miserável que não beija.
É abraço que deseja
Uma maldição benfazeja.

É sonho que presente,
E jamais se realiza.
Visão tão claramente
Que não se concretiza

É rio vivo e insistente,
Que o mar não pode ver.
É chama forte e incandescente
Que não consegue aquecer.

É carinho intenso e forte,
satisfeito na memória.
Carícia latente omitida
ainda sem dia e sem história.

São gemidos e suspiros
num medo insano de amar.
Louca paixão e insanos delírios,
Num inaudível sussurrar.

O amor heroico se satisfaz
Na admiração e no encanto.
A dor da separação se liquefaz.
Num perverso e escondido pranto.

O dilema é inegável
Um paradoxo marcante:
Ser amigo e bem amável
De seu algoz e doce amante.

DESEJOS REPRIMIDOS

O que a boca não confessa
Ou bem se faz escondido.
É anseio que não se professa,
É desejo assaz reprimido.

Freud não era bisonho
Era sábio e esclarecido.
Ele afirmou que o sonho
É desejo demais reprimido.

Nesse assunto sou apedeuta
Ignóbil e não decidido.
Não posso ser hermeneuta
Em assunto tão controvertido.

Se em sonho é realizado
O meu anseio mais querido,
Como posso ser penalizado
Por algo que não foi banido?

Pode ser ato falho
Um dejavi tresloucado
Um atavismo fálico
Um hedonismo alucinado.

O que não foi satisfeito
Volta multiplicado
No abismo do Inconsciente
Tem o seu forte reinado.

Tudo será lembrado
Num frenesi danado.
Num lapso de memória
Ou confusão de história.

Um nome que é trocado
Causando um sussurro ou gemido.
É o cérebro nos revelando
Um desejo assaz reprimido

Então, não tenha medo ou receio
Se tiver um sonho louco ou devasso
É desejo reprimido no meio
Te punindo por covardia e fracasso.

_________________________________________________
* José Geraldo de Freitas, atua na Defesa Civil Estadual, no PROGRAMA ÁGUA DOCE, no Gabinete Militar do Governador MG.


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